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sábado, 9 de janeiro de 2010

E eu também queria ser salva

E lá vem mais um ano. A imagem que querem nos passar é de que isto é uma coisa boa, felicitações para todos os lados. Quanta mentira barata. Saí no dia de natal, e tudo é a mesma merda. Nada de sorrisinhos felizes, isso é tudo enganação.

Aliás, meu natal foi passado a maionese e arroz a grega e meu ano novo a bacalhau, manjar de coco e mousse de manga. E eu nem sou tão chegada a bacalhau. Uma mulher desconhecida que só me chamava de "menina". Bom, pelo menos não tive que ficar conversando com ninguém. Tive mais é que me abster de conversar. Pude passar um tempo quieta no meu canto, querendo ir embora e chorando.

Perdida em Santos, as únicas lojas abertas eram de guloseimas. Cervejarias não vendem cartões telefônicos e nem créditos para celular. O décimo primeiro andar sem janelas era bem mais atrativo do que o meu sétimo com gradis.

Ficar em casa sozinha fazendo o que bem entendo é bem melhor do que ir para casa dos pais e ter que ficar constantemente com medo de levar um sermão. Aguentar brincadeiras bestas faz parte do pacote. Levar baforadas e sentir a ponta de um cigarro também.

Eu me viro com a comida que eu mesma faço, mesmo atingindo paladar o suficiente para descobrir que como a força o que cozinho. Minha mágica: temperinhos para arroz.

Eu posso ver o céu e as janelas podem me ver. Não me importo. Andar de calcinha dentro de casa é sexi (cof cof).

Eu posso ver tevê o dia inteiro como uma zumbi até minhas aulas começarem.

Eu não gosto que falem mal de mamãe. Eu consigo ver o lado dela. E eu vejo que estou no caminho de me tornar igual a ela.

Eu também consigo ver o lado de papai. Gostaria de ser uma pessoa forte que o honrasse. As honras ficaram no passado.

Eu tenho tempo para procrastinar e ácido para limpeza.

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