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domingo, 30 de agosto de 2009

Devaneios sobre o físico e a morte

Há uma coisa que há algum tempo tem me intrigado: o fato de eu não me lembrar do fato ocorrido, apenas lembrar-me da sensação que eu tive sobre este fato em questão. Um exemplo bem corriqueiro: não me lembro do filme, mas me lembro se ele me deixou com uma sensação boa ou não; não me lembro de como foi a conversa com determinada pessoa, mas me lembro a sensação que esta conversa me deixou: a de uma pessoa singela, ou não xD.

Minha mãe diz que "as palavras têm poder". Será mesmo? Meu slogan em casa é "ah, mas eu sou lesa, mãe". Repito isso várias e várias vezes. Será que estas palavras negativas têm me influenciado? Eu tenho pensado se não é por isso que maldigo tanto a minha memória. Será que ela é naturalmente assim, ou fui eu quem a tornou como ela é hoje, através de tanto pessimismo? Mas não consigo mudar, e nem explicar uma caraminhola referente a isso. É como se a minha cabeça desse um nó.

Eu desejo meu próprio mal. Ultimamente venho sentindo dor de cabeça sempre quando estou a caminho da faculdade, dentro do ônibus. Não confirmei se tem alguma relação com sair de casa logo após o banho, mas sempre quando tenho essa dor penso se não é nenhum tumor se formando na minha cabeça*. E isso invariavelmente me leva a devanear sobre o que gostaria de dizer às minhas pessoas mais queridas. Porque mesmo que eu não tenha alicerces fortes com alguém, na hora do desespero procuramos, querendo falar tudo o que já ficou preso em alguma altura da vida.

Quando estou no metrô, penso em me jogar, praticar o "timing", como disse uma vez. E como disse na mesma ocasião, não que eu queira exatamente morrer, só queria me imaginar no momento crucial, aquele em que não há mais volta. Que pensamentos rodeariam minha mente, as lágrimas pelas palavras não pronunciadas... Os rostos, a solidão, a tênue passagem desconhecida... De alguma forma eu sempre me emociono quando penso nisso.

* Penso em como sou ao mesmo tempo forte e fraca. Forte em relação ao meu corpo, resistência a doenças e coisas do gênero. Fraca em relação a atitudes, ao mundo. Muitas vezes desejo ser fraca fisicamente, para meu corpo demonstrar a dor interior que de jeito nenhum se expressa em algum tipo de mal físico.

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